quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Casos de aids em menores de 5 anos crescem no Norte e Nordeste


Brasília - O número de casos de aids em crianças de até 5 anos de idade tem caído no Brasil desde 2000. A queda não ocorreu de maneira igual em todas as partes do país. Enquanto a taxa de incidência da doença entre as crianças reduziu no Sudeste na última década, cresceu no Norte e no Nordeste. É o que mostra o Saúde Brasil, publicação anual do Ministério da Saúde que traz dados sobre a saúde do brasileiro.

No Brasil, a prevalência da aids nos menores de 5 anos passou de 5,4 casos para três casos por 100 mil habitantes, de 2000 para 2009. Na Região Sudeste, a redução foi de 8,2 para 2,8 casos no mesmo período. No Norte, o movimento foi inverso ao nacional, subindo de 1,9 para quatro casos por grupo de 100 mil habitante. No Nordeste, a taxa cresceu de 1,4 para 2,3.

Nessa faixa etária, a maioria dos casos de contaminação ocorre de mãe para filho durante a gravidez _ a chamada transmissão vertical. O próprio Ministério da Saúde conclui, na publicação, que a oferta de pré-natal de qualidade, com o teste de HIV nas gestantes, evitaria muitos casos infantis das doenças. “Como o diagnóstico da infecção pelo HIV, no início da gestação, possibilita o efetivo controle da infecção materna e a consequente diminuição da transmissão vertical, o teste anti-HIV deve ser sempre oferecido, com aconselhamento pré e pós-teste, para todas as gestantes, na primeira consulta do pré-natal, independentemente de sua aparente situação de risco”, diz o documento.

A meta do Brasil é reduzir a transmissão vertical de 6,8%, taxa verificada em 2004, para menos de 2% até 2015. Em mais da metade dos casos, a infecção acontece durante o parto. De 2000 a 2009, foram identificadas 54.218 gestantes soropositivas no país, sendo que 75,6% viviam no Sul e Sudeste.

Estadão

Pesquisa descobre por que sarampo se espalha tão rapidamente


Pesquisadores da Clinica Mayo, nos Estados unidos, descobriram por que o sarampo, talvez doença viral mais contagiosa do mundo, se espalha tão rapidamente: ele infecta uma proteína presente em células da traqueia, e depois vai para a garganta do hospedeiro. A tosse da vítima despeja milhares de partículas prontas para contaminar outra pessoa. O achado, publicado no periódico científico Nature nesta quarta-feira, 2, também abre caminho para novas terapias contra tumores, usando vírus para combater o câncer.

"O vírus do sarampo desenvolveu uma estratégia diabólica", explica Roberto Cattaneo, líder do trabalho. "Primeiro ele ataca as células do sistema imunológico que patrulham os pulmões para entrar no hospedeiro. Depois viaja dentro de outras células imunológicas pelo corpo todo. As células infectadas entregam essa carga especificamente a células que expressam a proteína nectin-4, o novo receptor, que estão localizadas na traqueia. Assim, o vírus emerge do hospedeiro exatamente onde o contágio é facilitado."

Os autores também comemoram outro aspecto da pesquisa: a proteína nectin-4 é um marcador de vários tipos de tumores, como o de ovário, mama e pulmão. Já estão em andamento pesquisas que utilizam o vírus do sarampo para atacar câncer.

Como o sarampo ativa alvos dessa proteína, uma terapia baseada nesse vírus poderá ser bem sucedida em pacientes com tumores que expressam a proteína nectin-4. Muitos pesquisadores acreditam que vírus modificados podem ser uma alternativa menos tóxica à quimioterapia e radioterapia.

Apesar do desenvolvimento da vacina, o vírus continua a afetar mais de 10 milhões de crianças a cada ano, matando cerca de 120 mil no mundo inteiro. Nos últimos anos, o contágio tem aumentado nas pessoas não vacinadas, e o sarampo continua sendo um problema de saúde pública nos Estados Unidos.

Estadão